Por dentro da flora santateresinhense: Conheça o Araticun

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Foto: Ivan Lima

A Tapera TV inicia hoje uma série de reportagens com foco nas espécias de plantas encontradas no município de Santa Terezinha. Nesta fase iremos falar sobre algumas plantas que para muitos são desconhecidas porém ja foram bastante apreciadas e admiradas por outras gerações. A nossa de reportagem será chamada "Por dentro da flora santateresinhense"

A nossa primeira árvore a ser destaca aqui, trata-se do araticum (nome científico Annona crassiflora) é uma planta característica do Cerrado. Ocorre, normalmente, em áreas secas e arenosas. Chega a alcançar entre quatro e oito metros de altura. De crescimento lento, costuma frutificar quando chega aos dois metros.

No município de Santa Terezinha (BA) esta árvore já foi bastante produtiva e seu fruto muito apreciado, nos dias de hoje, talvez, os jovens sequer saibam o sabor desta fruta devido a falta de produtividade da mesma em decorrência do desmatamento e do consequente desequilíbrio climático. Popularmente chamada de Atikum, em nosso município é comum ver um pé desta árvore de maneira solitária em meio as pastagens de capim. Os mais velhos certamente lembrarão dos tempos que iam para o meio do mato buscar essas frutas que eram encontradas em abundância durante seu período frutífero. Suas características e sabor se assemelham a pinha ou graviola.

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Foto: Ivan Lima

A árvore do araticum-do-cerrado é chamada de araticunzeiro e pode atingir até 8 metros de altura. Sua floração ocorre de setembro a novembro, sendo sua frutificação nos meses de novembro a março. Essas árvores possuem polinização entomófila, sendo os principais polinizadores os besouros. Não apresentam grande quantidade de frutos, mas em compensação apresentam frutos de até 2 kg.

O araticum-do-cerrado é um fruto grande, que apresenta polpa adocicada, rica em ferro, potássio, cálcio, vitamina C, vitamina A, vitamina B1 e B2. Com relação às polpas ocorrem dois tipos de frutos: o araticum de polpa rosada, mais doce e macio; e o araticum de polpa amarelada, não muito macio e um pouco ácido. Na época de sua frutificação são comuns o seu consumo pelas populações locais e sua comercialização em feiras ou em beira de estradas.

Na culinária, o araticum-do-cerrado é a espécie mais bem aproveitada da família Annonaceae. Além de seu consumo in natura, também são produzidos, a partir dele, bolachas, geleias, sucos, licores, bolos, sorvetes, doces, entre várias outras receitas. As folhas e sementes do araticunzeiro são utilizadas para conter a diarreia, induzir a menstruação, além de serem usadas no tratamento de úlceras, cólicas, câncer de pele e reumatismo.

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O araticum-do-cerrado é um fruto nativo do cerrado brasileiro (Foto divulgação)

Infelizmente muitos araticunzeiros estão sendo arrancados em razão do desmatamento. Como a semente demora muito para germinar (em torno de 300 dias), corre-se o risco de não haver mais essa árvore, típica do cerrado, sem o cultivo humano.

“O quanto em toda vereda em que se baixava, a gente saudava o buritizal e se bebia estável. Assim que a matlotagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha araticum maduro no cerrado.” Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas, pg. 372

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