Gestão, sociedade e consumismo: Um olhar para a crise. (SANTOS, R.S)

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Incertezas econômicas, queda no consumo e a dificuldade que os empresários estão enfrentando frente as mudanças no cenário econômico são alguns dos temas que chamaremos atenção neste artigo. Os fatores motivadores da nova maneira de pensar da clientela, redesenhou um quadro de estratégias mais exigentes para os gestores das empresas, com base nisto definiremos também quais são os métodos mais eficazes para se manter no mercado maximizando os lucros ou otimizando a manutenção das práticas existentes. Vamos entender porque muitas empresas prestadoras de serviços estão aglutinando novas atividades em seus exercícios sociais e como isto pode ajudar na reformulação do exercício temporal. Então, se está disposto a caminhar comigo pelo mapa da gestão consumista da nossa sociedade atual, convido a continuar a leitura e não se preocupe, não falaremos de Política por aqui.

No Brasil, a teoria do consumo sempre esteve enraizada desde os primórdios da colonização. Na descoberta dos povos indígenas por exemplo, o escambo das especiarias para a Europa acentuou esta necessidade para as famílias reais, conduzindo até a criação da comercialização destes itens. No almoço e no jantar dos europeus eram indispensáveis a pimenta do reino e a canela por exemplo. Não só o gostinho diferente que se davam as sobremesas, mas por serem trazidos de outra região, criava-se por conta disso algo característico como é tratado nos dias atuais. A maturidade em que se praticavam esses consumos, chegaram ao descaso total, quando tempos mais tarde foi decretado crime a prática do uso de casacos extraídos e confeccionados com pele animal.

O escambo ganhou forma, nome e outro valor. Atualmente como a economia é baseada em moedas ele se tornou pouco utilizado, não obstante, alguns setores de atividades econômicas estão ressuscitando esta pratica por conta da nova matriz de dificuldade de consumo que estão enfrentando. Estamos falando da permuta de serviços e produtos para a manutenção de estabelecimentos comerciais e/ou necessidades pessoais. Este fator agravante está sendo relacionado á duas necessidades não distintas e que muitos já conhecem.

  1. Terceirização de serviços
  2. Recondicionamento do poder de compra.

Traduzindo estas práticas vamos considerar as seguintes situações. Uma fábrica de móveis necessita de entregadores e montadores para fechar o seu ciclo de operação. Como a contratação de colaboradores para realizar essas tarefas internamente irão aumentar os seus custos fixos e criar elos trabalhistas para com a empresa, o administrador decide contratar profissionais especializados ou liberais afim de fechar um contrato de prestação de serviço sem gerar ônus empregatícios para a companhia. Desta forma, a terceirização de serviço para este ambiente de negócio é estreitamente mais vantajosa.

Em outra simulação, temos como exemplo pessoas físicas utilizando sites de permuta para adquirir determinado produto ou serviço sem a necessidade de condicionar valores monetários para isso. Não precisamos ir muito longe para averiguar isso, basta acessar Websites como o OLX e Bom Negócio que poderá ser verificado milhares de anúncios onde esta pratica tem se tornado bem comum. Um produto chega a custar mais do que o outro, no entanto o vendedor está disposto a trocar por outro que satisfaça as suas necessidades individuais.

Estas ações não são dignamente correlacionadas ao fato de que a sociedade como um todo, tanto no ambiente empresarial quanto pessoal, regrediram no tempo voltando a pratica deixada pelos nossos antepassados. Muito, porém, para expressar uma das estratégias de manutenção do consumo frente ao cenário econômico que estamos vivenciando.

Uma pesquisa realizada pelo {Observatório de Sinais} mostra que na crise econômica, 30% das pessoas acreditam que ela trará mudanças efetivas e duradouras no estilo de vida das pessoas. Somando aos 42% que responderam concordar em parte, chega-se a 72% do total. Como resultado disso o “Yes, we can” deixou de ser apenas uma inclinação cada vez maior do poder de compra das pessoas, para atitudes expressivas na tendência de como adquirir e como fazer para adquirir aquilo que se espera. Neste mesmo estudo foi constatado algumas questões fundamentais na nova linha de raciocínio das pessoas, sendo elas: Individualidade mais consciente e tratamento da ética capitalista criando espaços para repensar.

Na hora de refletir e se posicionar sobre a ética capitalista, o resultado é um verdadeiro racha, quase um empate: 49% concordam total ou parcialmente que o acúmulo contínuo de bens e mercadorias ao longo da vida não prejudica ninguém, e 51% discordam total ou parcialmente.

Apenas 16% não transigem e discordam totalmente que “não sendo contra a lei, vale tudo para ganhar dinheiro”, percentual que sobe a 19% entre as mulheres e cai a 13% entre os homens. Somando-se a discordância parcial, chega-se a 46% dos respondentes, ainda assim aquém da maioria.

De modo geral, há uma desafeição pelo consumo no ar. O que se evidencia é uma tendência a repensar posições e limites – capitalismo sim, consumo moderado pode ser, ganância não – ainda expressa de modo confuso, próprio das crises. Para o indivíduo, o epicentro da crise não é o mercado financeiro ou a economia, e sim a sua consciência de consumo. O recado de 72% dos pesquisados é que o momento é propício para repensar o estilo de vida consumista como um todo. Ao mesmo tempo, na outra ponta, 26% são um bocado de gente que não põe fé em mudanças nesse sentido.

Bom e quanto as mudanças na postura do empresariado?

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Muitos empresários estão aglutinando serviços no seu exercício social afim de saldar a conhecida “queda no movimento” neste momento de crise. As empresas prestadoras de serviço são as que mais tem saído a frente nessa mudança drástica e perspicaz. Recentemente visitei uma barbearia de um conhecido e me deparei com uma Freezer refrigerando sorvetes no canteiro do recinto. Ao perguntar se o cliente poderia escolher o sabor após o corte do cabelo, ele me respondeu: – Sim, o sabor e a forma de pagamento.

Felizmente para muitos, estas ações têm viabilizado o momento importuno que a crise trouxe para o país. Diversificar produtos ou serviços tem sido a melhor alternativa para enfrenta-la. Os administradores precisam ter uma válvula de escape para a queda no consumismo que possa assolar o seu estabelecimento, nos dias de hoje, fatorar mudanças consecutivas em redução do preço/venda de determinado produto ou serviço, não tem sido a alternativa mais eficaz. Óbvio que é importante estudar os concorrentes e entrelaçar os preços quanto ao que está condizendo o mercado, porém com o cenário de baixo poder de compra que estamos vivenciando, a oferta de novos canais de negócio é tão importante o quanto o enlace na precificação.

É preciso compreender que o fator motivador deste artigo não é criar uma regra de expansão para aqueles que estão enfrentando dificuldades em manter o negócio, mas, tão somente conduzir o pensamento do administrador quanto ao emaranhado de atitudes propicias que o mesmo pode apoiar quando o seu cenário for propicio para isso. Entendemos que cada gestão é uma gestão, cada empresa possui uma especialização diferente, cada administrador uma maneira de gerir o seu negócio, no entanto a regra de crescimento vale para todos. Então, se você é administrador, gestor ou alguém que se interessou pelo título do artigo, se algo do que foi dito refletiu em algo que está vivenciaod, espero que as incertezas econômicas do cenário atual não “degolem” as suas conquistas e ti façam desacreditar das estratégias. Lembre-se, as mudanças de hábitos e atitudes reconstroem o que de melhor temos. Um abraço !

 

Referências: 

CONSUMO EM TEMPOS DE CRISE. Disponível em: <http://observatoriodesinais.com.br/consumo_em_tempos_de_crise/>. Acesso em: 10 julho. 2016.

ANTUNES, Ricardo. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do  undo do trabalho. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 1995.

ANUÁRIO DOS TRABALHADORES – 2008. São Paulo: DIEESE, 2009. <http://www.dieese.org.br/anu/anuarioTrabalhadores2008/arquivos/t97.htm/>. Acesso em: 31 ago. 2009.

BALANÇO DAS GREVES EM 2008, Estudos e Pesquisas nº45, São Paulo, DIEESE, julho de 2009.


Ficha Técnica do colunista:

http://www.taperatv.com.br/ramon-santos/

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